Passaram três dias desde a grande entrega de prémios de Música Awards Music America (AMA) e as notícias perduram com o discurso de Selena Gomez.

Se existiu algo que me marcou, foi esse exato momento em que Selena Marie Gomez subiu ao palco para a entrega do Prémio de Favorite Female Artist- Pop/Rock (Melhor Cantora do Ano de Pop/Rock).
Não me assumo como fã, contrariamente ao que possa desencadear esse mesmo pensamento, apenas reconheço que por mais que a recompensa seja inalcançável, a luta não passa de um simples erguer de uma batalha ultrapassada.
Neste momento, contemplo uma mulher que em tempos era o encanto desinibido da  família Russo (Feiticeiros de Waverly Place – Disney Channel), com uma carreira notória que apresenta um desenvolvimento surreal. Selena desvendou a fase mais dolorosa da sua vida. Invadida por uma doença reumatológica, que reafirmou uma retirada intrínseca da cantora dos palcos, simplesmente determinou a sua vontade de crescer insolitamente na vida.

A música Kill em with Kindness é , sem sombra de dúvida, o desvendar de uma vontade ínfima de ultrapassar o horrível lugar em que o mundo se poderia tornar.

O discurso contemplado pela mesma no dia 21 de Novembro de 2016, com um leve tremor que desencadeava, continuamente, um despertar a quem presenciava aquele momento, contemplava uma firmeza na palavra que orgulhava inevitavelmente o espetador.
Estávamos perante o lado de lá de Selena Gomez.
Em momento algum se ouviu uma voz. Todos estavam atentos tentando evidenciar algo sentido , poderia até descrever esse mesmo momento com a expressão, “Na tua Pele”.

A cantora mencionou o ano de 2014, sendo o ano em que a mesma ganhou o prémio pela primeira vez, afirmando ter-se entregado a cem por cento a todos os que presenciavam aquele momento, contudo, a Selena que todos esperavam ver quebrou por dentro sem que desse conta. A mesma que quebrou, ganhou O PRÉMIO. A mesma que quebrou (re)ergueu-se, sem saber como agradecer a todos aqueles que a acompanham.

A falta de privacidade e a cristalização do corpo foi um dos pontos que a atriz nomeou e, que de facto, são apenas alguns dos motivos que levam cada um de nós ao abismo. O querer ocultar, no dia-a-dia das grandes celebridades de Hollywood é o motivo válido para compreender que algo está errado, corroborado ou isolado. Algo que vira capa de revista ou ‘notícia de última hora’.

As palavras são possuidoras de um poder único, sendo que a cantora, em pequenos segundos provocou a necessidade da (re)construção de uma segurança e lealdade a que todas nós, mulheres, necessitamos de criar, desfigurando inevitavelmente esse espelho redundante que faz de nós indesejáveis.

Tudo isto, na pele de Selena.